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Custos de Frete Internacional: Fatores que Influenciam o Valor

Escrito por Columbus Logística Internacional | Jan 13, 2026 5:54:24 PM

 

Se você atua com comércio exterior, é bem provável que já tenha se perguntado: “quanto custa, de fato, o frete internacional marítimo para o meu produto?”, “por que o valor do frete internacional varia tanto de um mês para o outro?” ou ainda “quais são os componentes do frete internacional que eu preciso considerar para formar meu preço de exportação?”. Essas dúvidas são comuns entre exportadores, independentemente do segmento ou do tipo de carga, e têm impacto direto na competitividade, na margem por tonelada ou metro cúbico e na previsibilidade das operações ao longo de todo o fluxo internacional.

Entender os custos do transporte internacional não significa decorar siglas ou taxas isoladas, mas compreender a lógica por trás da formação do preço: quais itens entram no cálculo do frete, quais fatores fazem esse valor subir ou descer e o que pode ser feito para otimizar o custo sem assumir riscos desnecessários em termos de prazo, compliance e integridade da carga. Ao longo deste artigo, vamos aprofundar essa estrutura de custos, mostrar como ela se conecta ao conceito de custo total (landed cost) e indicar caminhos práticos para que você negocie e planeje seus embarques com mais segurança e previsibilidade.

1. Por que entender o custo do frete internacional é tão importante?

O frete internacional costuma ser uma das maiores linhas de custo na planilha de um exportador. Ele influencia diretamente o preço final, a margem por tonelada ou por metro cúbico e a capacidade de cumprir contratos de longo prazo com previsibilidade de custo e de prazo.

Quando a empresa olha apenas para o “preço por contêiner” ou “por tonelada” sem entender o que está por trás, corre o risco de comparar propostas incomparáveis, tomar decisões baseadas apenas no menor número e, depois, descobrir custos ocultos em taxas locais, armazenagens, demurrage, detention e outros itens que impactam o fluxo de caixa e a competitividade.

Por outro lado, quando se entende a estrutura do frete, os componentes do transporte internacional e os fatores que influenciam o frete de exportação, é possível negociar com mais segurança, escolher rotas, modais e equipamentos (como contêiner dry, reefer, granel, Flexitank ou Isotank) com base em cenário e não em percepção, e trabalhar com o conceito de custo total (landed cost). Afinal, o custo total logístico é o que realmente importa para a formação de preço, proteção da margem e sustentabilidade da operação ao longo de todo o contrato.

2. Componentes do frete internacional: o que entra no custo?

Quando alguém pergunta “quanto custa o frete internacional marítimo?”, não existe uma única resposta padrão. O que chamamos de “frete” é, na verdade, a soma de vários itens que compõem o custo total do transporte internacional. O primeiro deles é o frete básico, ou seja, a tarifa principal cobrada pelo transporte entre o porto ou aeroporto de origem e o de destino. No modal marítimo, essa tarifa pode ser cobrada por contêiner (no caso de FCL – Full Container Load) ou por tonelada/metro cúbico (no caso de LCL – Less than Container Load, granel ou alguns tipos de carga de projeto). No modal aéreo, a base é o peso taxável, que considera o maior entre peso e volume, ponto crítico especialmente para cargas de alto volume e menor densidade.

Além do frete básico, entram em cena os chamados surcharges, ou adicionais. São fatores de ajuste aplicados pelos armadores e companhias aéreas, como BAF (relacionado ao custo do combustível), CAF (ligado à variação cambial), GRI (aumentos gerais de tarifa em determinadas rotas e períodos), entre outros. Em momentos de maior instabilidade no mercado de transporte internacional (picos de safra, redução de capacidade ou mudanças relevantes nas rotas), esses adicionais podem se tornar protagonistas na variação do preço mês a mês e impactar diretamente a previsibilidade de custos de contratos de longo prazo.

Também fazem parte dos custos do transporte internacional os custos portuários e de terminais, como a THC (movimentação de contêineres no terminal) e a taxa de scanner no porto, que corresponde ao valor cobrado nos terminais pela inspeção não invasiva da carga (raio-X). Em operações com líquidos a granel, cargas sensíveis ou sujeitas a inspeções recorrentes, esses itens podem ganhar ainda mais relevância na composição do custo total.

Por fim, há outras despesas locais na origem e no destino, que englobam taxas de documentação, manuseio específico, inspeções físicas, fumigações, pesagens e serviços similares, muitas vezes ligados a exigências sanitárias e de órgãos anuentes. Esses itens variam bastante conforme o país, o porto, o tipo de produto (por exemplo, alimentos, produtos de origem animal ou químicos) e o nível de serviço contratado (porta-a-porta, porta-a-porto, porto-a-porto, e assim por diante). Entender claramente quais custos estão incluídos na cotação e quais permanecem sob responsabilidade do exportador ou do importador é fundamental para evitar surpresas, comparar propostas de forma justa e trabalhar com um cálculo de frete alinhado ao custo total logístico da operação.

3. Como o tipo de carga e o modal influenciam o valor do frete?

Outro ponto fundamental para entender o valor do frete internacional é o tipo de carga e o modal de transporte escolhido. A mesma rota pode ter custos muito diferentes dependendo do que está sendo transportado, das exigências técnicas desse produto e de como essa carga é embarcada.

No transporte marítimo, que é o mais utilizado para grandes volumes e para líquidos a granel, a carga pode seguir em contêiner dry (carga geral), contêiner reefer (refrigerado, para produtos sensíveis à temperatura, como alimentos, produtos de origem animal e insumos químicos específicos), contêineres especiais como open top e flat rack (para cargas de projeto, pesadas ou de grandes dimensões), granel sólido e granel líquido, além de soluções específicas para líquidos, como Flexitank e Isotank. Cada opção envolve um nível de complexidade técnica, requisitos de limpeza e integridade, restrições operacionais e uma estrutura de custo diferente. Por exemplo, um contêiner reefer demanda energia e monitoramento constantes, controles rigorosos de temperatura e, muitas vezes, procedimentos adicionais de higienização e inspeção, o que naturalmente eleva o custo em comparação com um contêiner seco padrão. Já soluções como Flexitank permitem maior volume útil por contêiner, o que pode otimizar o custo por unidade transportada para determinados tipos de líquidos não perigosos. No caso do Isotank, o investimento pode ser maior a depender da rota, mas se justifica para líquidos perigosos.

No transporte aéreo, além do tipo de carga (geral, perecível, perigosa, de alto valor), o fator determinante costuma ser a relação entre peso e volume. Como o cálculo usa o peso taxável (que considera o maior entre peso real e peso cubado), produtos leves e volumosos podem ter custo por quilo aparentemente maior do que produtos mais densos. A mesma lógica de densidade também se aplica ao marítimo no cálculo por freight ton: o que importa é quanto espaço e peso a sua carga efetivamente ocupa na embarcação ou na unidade de transporte, e como isso impacta a ocupação do navio ou da aeronave.

Além disso, a escolha entre modal marítimo, aéreo, rodoviário e combinações multimodais impacta não apenas o custo, mas também o prazo de entrega, o risco, a previsibilidade e o nível de controle sobre a operação. O transporte marítimo tende a ser mais competitivo em custo por unidade, especialmente para grandes volumes e fluxos recorrentes, mas exige maior antecedência, planejamento de janela de embarque e tolerância a prazos mais longos. O aéreo, por sua vez, é mais caro, porém indispensável para algumas cadeias de suprimento em que o lead time é crítico, em embarques urgentes ou em cargas de alto valor em que o custo de oportunidade do atraso supera a diferença de tarifa entre os modais.

4. Rotas, portos e sazonalidade: o impacto do mercado no preço

Mesmo com o tipo de carga e o modal definidos, ainda há outro conjunto de variáveis que ajuda a explicar por que o valor do frete internacional oscila tanto: a dinâmica de mercado e a sazonalidade. Em períodos em que a demanda por espaço em navios, contêineres e equipamentos específicos (como reefers, contêineres especiais ou unidades para líquidos a granel) é muito alta e a oferta é limitada, as tarifas tendem a subir. Quando a capacidade ociosa aumenta, o movimento costuma ser o oposto.

A sazonalidade do agronegócio, por exemplo, influencia diretamente a ocupação de navios, terminais e janelas de estufagem em determinados períodos, pressionando tanto o preço quanto os prazos de booking. O mesmo vale para indústrias que concentram seus embarques em momentos específicos do ano. Para quem precisa embarcar em épocas de pico, planejar com antecedência, organizar volumes e reservar espaço com margem é uma das formas mais eficazes de evitar depender exclusivamente de frete spot mais caro e com menor previsibilidade.

Além disso, a escolha da rota e dos portos de origem e destino afeta diretamente o custo, o risco e o tempo de trânsito. Rotas diretas geralmente oferecem prazos menores e, de forma geral, tendem a ser mais competitivas em custo por unidade transportada. Já rotas com transbordo (transshipment) podem aumentar o transit time, a complexidade operacional e a chance de atrasos decorrentes de conexões em outros portos, o que muitas vezes eleva o custo total da operação. Portos com infraestrutura mais robusta, maior oferta de serviços, presença de múltiplos armadores e operadores logísticos especializados tendem a oferecer combinações mais variadas de custo, prazo e nível de serviço, o que abre espaço para melhor negociação dentro da estratégia de custo total.

Eventos extraordinários, como crises globais, conflitos geopolíticos, greves portuárias, restrições sanitárias súbitas e fenômenos climáticos extremos, também impactam diretamente os custos do transporte internacional. Eles podem mudar repentinamente a disponibilidade de rotas, alongar prazos de trânsito, aumentar o risco operacional e forçar ajustes expressivos nas tarifas, seja pela necessidade de desviar navios, alterar portos de escala, seja pelo replanejamento completo de cadeias logísticas inteiras. Para operações recorrentes e contratos de longo prazo, acompanhar esses movimentos de mercado e revisar cenários de rota com parceiros especializados é essencial para proteger margem, serviço ao cliente e continuidade dos embarques.

5. Compliance, documentação e seguro: custos que não aparecem na primeira linha

Quando se fala em como calcular o frete internacional, muita gente olha apenas para aquilo que está explícito na cotação do armador ou do agente de carga. No entanto, uma parcela relevante do custo total está ligada a temas como compliance regulatório e interno, documentação aduaneira e seguro internacional de carga. Isso é ainda mais comum em operações com líquidos a granel, produtos de origem animal, alimentos e químicos, em que o nível de exigência é mais alto.

No campo do compliance, além de atender às normas de órgãos reguladores, muitas empresas trabalham com políticas internas rigorosas, que determinam, por exemplo, que só se pode operar com armadores, agentes de carga, transportadores rodoviários, terminais e seguradoras que cumpram requisitos específicos de certificações (ISO, OEA, HACCP, GMP+, entre outras), políticas anticorrupção, padrões de segurança, controles de sanidade e origem da carga, bem como regras de ESG e rastreabilidade. Selecionar, homologar e monitorar parceiros que atendam a esses critérios gera custos de auditoria, qualificação de fornecedores, revisões contratuais e eventuais trocas de prestadores, mas é justamente o que reduz o risco de sanções, perdas de mercado e restrições de acesso a determinados clientes ou países.

Dependendo do tipo de produto, diferentes órgãos anuentes podem estar envolvidos (como MAPA, Anvisa, autoridades de segurança, órgãos ambientais, entre outros), cada qual com suas exigências de laudos, certificados, registros e padrões de embalagem e rotulagem. Cumprir essas exigências gera custos, mas não cumpri-las pode sair muito mais caro em forma de retenções, multas, armazenagens adicionais, inspeções complementares, perda de janelas de embarque e até perda da carga.

A documentação aduaneira é outro ponto sensível. Erros em classificação fiscal (NCM), informações incompletas em declarações, divergências entre fatura, packing list e documentos de transporte, por exemplo, podem levar a atrasos de liberação, exigências complementares, canal vermelho recorrente, custos de armazenagem e demurrage ou detention de contêineres. Em muitos casos, o valor gasto para corrigir uma não conformidade supera com folga a economia buscada em um frete “mais barato” na origem ou em uma operação montada sem suporte especializado em despacho aduaneiro.

O seguro internacional de carga, por fim, deve ser visto como parte integrante da equação de custos e não apenas como um acessório opcional. Em operações com líquidos e cargas sensíveis, a combinação entre escolha adequada do equipamento, boa gestão de risco, políticas internas de compliance e seguro bem estruturado é decisiva para proteger a margem. Ao pensar em como calcular o custo do transporte internacional, é importante incluir o seguro e os requisitos de compliance na conta e não tratá-los apenas como custos à parte, mas como componentes indispensáveis.

6. Decisões logísticas que podem reduzir (ou aumentar) o custo do frete

Depois de entender os componentes e o contexto de mercado, vem a parte mais estratégica: quais decisões logísticas estão ao alcance do exportador para otimizar o valor do frete internacional e o custo total da operação?

Uma delas é a escolha do modal e do equipamento mais adequados para cada tipo de carga. Em alguns casos, um contêiner dry tradicional atende perfeitamente à necessidade, enquanto em outros será fundamental equipamentos específicos para líquidos, como Flexitank ou Isotank. Essa decisão precisa considerar não apenas o custo do frete, mas também as exigências técnicas do produto, requisitos de clientes finais, padrões sanitários e regulatórios, riscos de avaria e necessidades de segurança e rastreabilidade ao longo de toda a cadeia.

Outro fator essencial é a definição dos Incoterms. Eles determinam quem contrata o frete e o seguro, em que ponto ocorre a transferência de risco e quem é responsável pelas despesas locais em cada etapa. Uma estratégia bem pensada de Incoterms pode dar mais controle de custos ao exportador, melhorar o poder de negociação com transportadores e agentes de carga, facilitar a gestão aduaneira e evitar conflitos com o importador em casos de imprevistos.

Por fim, analisar rotas e portos alternativos pode revelar oportunidades interessantes de otimização do custo total. Em alguns cenários, embarcar ou desembarcar por um porto diferente, ou ajustar a rota para utilizar um hub específico, permite reduzir o custo global da cadeia, mesmo que isso implique um pequeno aumento no transit time. O importante é sempre olhar para o equilíbrio entre custo, prazo, risco, requisitos de compliance e expectativas comerciais do cliente, conectando essas decisões à realidade da sua operação e aos objetivos de competitividade no mercado internacional.

7. Como conectar tudo isso à sua realidade: custo total e tomada de decisão

Diante de tantos fatores, é natural que a pergunta “quanto custa o frete internacional marítimo?” não tenha uma resposta única e instantânea. O que faz sentido para quem exporta é trabalhar com o conceito de custo total (o chamado landed cost), que considera todos os itens que impactam o valor final da mercadoria entregue ao cliente: frete básico, surcharges, custos portuários, despesas locais, seguros, custos aduaneiros, riscos de armazenagem extra, demurrage e detention, entre outros. 

Ao comparar propostas de frete, vale montar cenários de rota, modal, equipamento (dry, reefer, granel, Flexitank, Isotank), Incoterms e nível de serviço (porta-a-porta, porta-a-porto, porto-a-porto). Em cada cenário, você estima não só o valor do frete, mas também custos associados e a probabilidade de atrasos, não conformidades e despesas extras. Essa visão de custo total permite decisões baseadas em dados, e não apenas no menor número da cotação.

Outra prática essencial é acompanhar indicadores de desempenho logístico alinhados à sua operação: custo por tonelada ou metro cúbico, lead time médio por rota, taxa de ocorrências (avarias, atrasos, não conformidades) e valores anuais de armazenagem extra e demurrage/detention. Esses indicadores evidenciam os principais gargalos de custo, mostram quais rotas, portos, modais ou equipamentos concentram mais risco e orientam quais ajustes geram maior impacto no fluxo de caixa e na competitividade internacional.

Por fim, contar com parceiros especializados em logística internacional e comércio exterior, com atuação direta em porto e experiência, ajuda a transformar esse conjunto de informações técnicas e de mercado em decisões concretas. Um bom parceiro contribui na leitura de cenários, na escolha de modais e equipamentos, na estruturação documental, no desenho de soluções e na gestão de risco e seguro, sempre com o objetivo de dar mais previsibilidade, segurança e eficiência ao seu fluxo.

Entender os custos do transporte internacional, a lógica por trás do valor do frete e os fatores que o influenciam é um passo determinante para quem quer deixar de reagir às variações do mercado e assumir o controle da própria estratégia logística. A partir daí, negociar melhor, planejar com mais antecedência, definir rotas e equipamentos com base em dados e estruturar operações com foco em custo total deixam de ser exceção e passam a fazer parte da rotina do seu negócio, sustentando o crescimento das exportações com mais estabilidade, compliance e proteção de margem.

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